terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma lágrima...


Abriu os olhos e não conseguia entender o que estava vendo. Estava tudo estranho! Nada se encontrava no lugar em que havia deixado. 

Foram dois meses em coma. Tempo que lhe estacionou a vida, e privou-lhe de acompanhar as rápidas e expressivas mudanças. "Dormiu" vendo um lugar feliz, cheio de flores, crianças brincando nos jardins, pessoas sorrindo... E ao "acordar" viu um lugar triste, entregue à escuridão das almas, crianças já não havia mais, pessoas riam o riso da eternidade, tudo sobre o chão manchado de vermelho... Marcas da dor! 

Era difícil e dolorido entender aquele cenário que se apresentava diante de seus olhos! Não podia crê no que se passara! Em apenas dois meses um lugar lindo, cheio de brilho e paz, havia se transformado em um campo que sustentara uma guerra, restando do brilho a lembrança e da paz o canto dos pássaros!... Depois de momentos de anestesia pelo choque, rolou-lhe sobre o rosto uma lágrima!

Leve Felicidade!


Porque somos tão felizes quando somos crianças? Porque somos tão felizes quando estamos apaixonados?


Porque quando somos crianças, temos em nós a leveza; a pureza; sentimos a magia do ar; percebemos o sorriso da vida, as cores da alegria! Porque nos contentamos e nos alegramos com as coisas mais simples e mais pequenas, as quais, no entanto, são tão grandes, doces e majestosas, que são capazes de transbordar a taça de nossa felicidade! 


E quando estamos apaixonados, porque, de uma certa forma voltamos a ser crianças, a sentir a vida de uma forma especial! A sentir seu toque, seu brilho... porque um olhar, um toque, um gesto, um sorriso, é capaz de nos elevar aos céus em fração de milésimos de segundos, em um transe sublime da alma! 


 Porque é a vida vivida em plenitude!

                                                                                                               maio de 2005 


Árvores formando uma estrada...
Folhas amarelas caídas pelo chão...
O vento a balançar-lhes as galhas...
Pássaros em seus troncos e extremidades das copas, cantam...
Ar calmo... A paz embebida na reflexão!
Um céu azul com nuvens brancas...
No fim uma casa, duas, três... Uma colônia!
Adiante uns eucaliptos exalando seus perfumes por toda a área...
O verde das gramas, onde saltam coelhos...
O som harmonioso das águas que caem das pedras revestidas de limo, por entre as árvore...
Pássaros a banhar-se com travessura e beleza!
Cavalos que correm para o horizonte!


                                                                                               agosto de 2004.